22 de julho de 2020
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Suporte emocional no diabetes

Equipes de respeitáveis instituições dinamarquesas envolvidas com o tratamento do diabetes — a Danish Diabetes Association, o Steno Diabetes Center North Denmark e o Aalborg University Hospital — resolveram levantar aspectos emocionais relacionados com essa doença crônica.

Logo no início, eles enviaram convites por e-mail para 38.820 membros da Danish Diabetes Association, organização que reúne portadores de diabetes e seus familiares. No total, 9.869 indivíduos aceitaram participar — entre eles, 761 cuidadores e 8.918 diabéticos. Na amostragem de pacientes, 71% apresentavam o tipo 2 e 26%, o tipo 1. O restante tinha formas mais raras de diabetes.

Impacto psicológico

Pela análise cuidadosa das respostas, 18% dos casos deveriam ter sido encaminhados para a terapia, mas isso não costumava acontecer. Mais: 36% dos diabéticos afirmaram nas entrevistas que não recebiam o apoio necessário em sua rotina. A mesma resposta foi marcada por 21% dos cuidadores.

A maioria dos participantes tinha acesso a um bom tratamento médico e farmacológico e, mesmo assim, quando indagada se sofria de um impacto psicológico negativo provocado por situações que eles associavam ao diabetes, 20% marcaram a alternativa “sinto isso, o impacto negativo, na maior parte do tempo ou o tempo todo.”

Quem parece mais vulnerável

As mulheres, que representavam 51% dos respondentes, se queixaram com maior frequência que gostariam de ser acompanhadas por psicólogos capazes de compreender as emoções e as angústias de portadores de uma doença crônica. No final, 24% delas fizeram esse tipo de comentário contra 12% dos homens.

Segundo o médico Soren E. Skovlund, líder do trabalho, três subgrupos pareciam ser ainda mais vulneráveis a problemas psicológicos: pacientes com diabetes tipo 2 que precisaram se tornar usuários de insulina e isso devido a uma não aceitação do tratamento de reposição; pacientes com diversas comorbidades e já com sequelas do diabetes e, por último, pessoas que perderam o emprego, o que aparentemente não tem nada a ver com a doença. “A questão é que alguns aspectos emocionais do diabetes ganham outro peso, muito maior, quando a mente está preocupada com problemas financeiros e de trabalho”, observa o médico.

Os pesquisadores se debruçaram ainda sobre mais de 1.100 respostas abertas e concluíram que os problemas emocionais são muito mais intensos quando a saúde física, por assim dizer, não anda sendo tão bem acompanhada — ao menos na percepção pessoal dos entrevistadas.

Os pacientes em situação mais frágil emocionalmente tendiam a ser aqueles com maior dificuldade para acessar ou lidar com novas tecnologias ou que não contavam com uma boa atenção primária nas pequenas cidades onde viviam.”Tudo isso aumenta o sentimento de insegurança”, diz Soren E. Skovlund.

Psicólogos nas equipes

Para o cientista, o estudo ressalta a necessidade de que as equipes encarregadas de tratar o diabetes sempre incluam psicólogos. “Na Dinamarca, no National Program for Patient, isso infelizmente ainda não acontece, daí a importância do nosso levantamento para sensibilizar as autoridades e a população”, explica. “Não há, no nosso país, nenhum seguro, plano ou programa de saúde que ofereça reembolso de terapia aos pacientes com diabetes que eventualmente relatem dificuldades emocionais.”

Para complicar, existem poucos profissionais de saúde mental que entendem das peculiaridades do diabetes nesse país, assim como em muitos outros cantos do mundo. Na opinião do médico, isso precisa ser revertido de alguma maneira. “Cuidar dos aspectos psicossociais da doença deveria fazer parte do tratamento. Isso é essencial se queremos melhorar a qualidade de vida não apenas dos pacientes como a de seus familiares”, aponta.

Se quiser conhecer o trabalho, recém-publicado na Diabetes e apresentado no recente congresso American Diabetes Association, clique aqui


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