26 de junho de 2017
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Relação entre imagens e embalagens e tamanho das porções de cereais

Por Renata Bressan, do Departamento de Nutrição da Abeso

Hoje sabemos que a obesidade é uma doença com causas multifatoriais, ou seja, ela resulta da interação de genes, ambiente, comportamento, cultura e fatores socioeconômicos.

No quesito comportamento, alguns hábitos como comer rápido, comer assistindo televisão ou em frente ao computador levam a um consumo excessivo de alimentos e a uma menor saciedade. Tanto o ambiente das refeições como as companhias também têm influência no que e no quanto se come. Além disso, o tamanho dos pratos e copos também pode interferir no consumo de alimentos e bebidas.

Nessa mesma linha de pesquisa, um estudo americano publicado no início do ano avaliou como as imagens das embalagens de cereal influenciam no tamanho da porção que as pessoas se servem. A porção sugerida no rótulo, geralmente fica em torno de 30g de cereais, mas os consumidores geralmente têm dificuldade em traduzir essa informação em tamanho de porção. A visualização poderia ser útil nesse caso. Porém, se as imagens representadas nos rótulos estiverem exageradas, podem induzir a um consumo exagerado.

O estudo avaliou, então, duas marcas de cereais largamente comercializadas e disponíveis, diferentes entre si para garantir uma generalização dos achados. Observou-se que as imagens representavam uma porção 65,0% maior em média em relação à porção proposta no rótulo (em torno de 30g). A média de calorias da porção de cereais representada na imagem foi de 220 calorias, enquanto que a sugerida na porção de 30g seria de 133 calorias.

Um segundo experimento, compreendido neste mesmo estudo, avaliou a quantidade de cereais que os indivíduos se serviam de acordo com as imagens das embalagens. Compararam embalagens comuns a embalagens modificadas por photoshop que representavam a porção indicada no rótulo.

Verificou-se que os indivíduos que se serviram da embalagem tradicional colocaram 45% a mais de cereais em relação à porção de 30g, enquanto que os indivíduos que se serviram da embalagem com a imagem modificada, colocaram 20% a mais em relação aos 30g.

Entre as limitações do estudo os autores citam que foi avaliado o comportamento ao servir e não o de consumo; foi utilizada uma amostra homogênea de estudantes não representativa da população geral; e não foi um estudo randomizado.

Mesmo assim, concluíram que as imagens que representam uma porção exagerada de cereal podem contribuir para um consumo excessivo e consequentemente para o ganho de peso e sugeriram que as indústrias, consumidores e reguladores devem considerar esse efeito na determinação de imagens adequadas nas embalagens.

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