17 de janeiro de 2012
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NY Faz Campanha de Impacto sobre Obesidade

NY Faz Campanha de Impacto sobre Obesidade
Por Beth Santos

“Corte suas porções. Corte seu risco”. Este é o slogan da nova e polêmica campanha contra a obesidade, do Departamento de Saúde da prefeitura de Nova Iorque. Ela alerta contra os tamanhos cada vez maiores das porções de refrigerantes, batatas fritas, hambúrgueres etc.

A campanha, que está em mil pôsteres no metrô novaiorquino, aposta em fotos de impacto, com pessoas em estado avançado de obesidade. Uma delas mostra um homem diabético, obeso, com a perna amputada em consequência da doença. Em primeiro plano há três copos de refrigerante, em tamanhos crescentes, e a frase: “As porções cresceram, assim como o diabetes tipo 2, que pode levar a amputações”.

A indústria de refrigerantes foi a primeira a reclamar. Seus representantes afirmaram que ela apresenta um “retrato impreciso” do que a bebida faz com o corpo das pessoas. Do outro lado, Michael Bloomberg, prefeito da cidade de NY, conta-ataca: “O que você quer fazer? Quer que as pessoas percam suas pernas? Ou quer mostrar a elas o que acontece, para que não percam suas pernas?”

Mudança no Padrão Alimentar

A nutricionista Mariana Del Bosco, membro do Departamento de Nutrição da ABESO, acha que “políticas públicas para o combate da epidemia da obesidade são absolutamente necessárias para que se possa conter a escalada dessa doença e de suas comorbidades ao redor do mundo. É fato que o aumento no tamanho das porções, especialmente de alimentos como refrigerante, hambúrgueres, salgadinhos e similares, aumentou consideravelmente nos últimos 50 anos.  Pesquisas apontam essa mudança no padrão alimentar como um grande contribuinte para o aumento do peso da população”.

A nutricionista da ABESO acredita que uma campanha educativa “é de fundamental importância para incitar mudanças de hábitos, e os órgãos governamentais precisam tomar frente nesse processo. Além disso, é também necessário que haja estímulo para que as empresas comercializem porções menores a preços mais atraentes.

Mariana Del Bosco observa que “atualmente, a maioria das redes de fast food comercializa as porções grandes com muitas vantagens para o consumidor.  Não parece óbvio que, se o refrigerante de 200ml custar metade do que custa o de 400ml, e não alguns centavos a menos, talvez seja eleito pela maioria? Ou ainda, que se a caixinha de junk food não contiver o brinde, talvez muitas das crianças possam optar por uma refeição mais saudável?” 

Fatores Inexoráveis

A especialista afirma que é preciso lembrar “que a obesidade é uma doença multifatorial. E não podemos esquecer de outros fatores inexoráveis, como a mudança do papel da mulher na sociedade – que acabou impactando no hábito alimentar das famílias, na necessidade de uma alimentação mais prática e no aumento no número de refeições fora de casa. Além , é claro, das mudanças tecnológicas que levaram a uma diminuição do gasto energético, o outro componente do balanço calórico, também responsável pelo aumento do risco da obesidade”.

Ela comenta que é importante não esquecer também “que a obesidade tem muitas causas, e não um único vilão. Assim as políticas de combate podem alinhar-se, em todas as esferas da sociedade, para que a população tenha informação adequada desde a infância, acesso a uma alimentação de qualidade,  espaço para prática de exercício em ambientes adequados e seguros, entre outros facilitadores”.

Campanhas

Mariana prossegue: “Reitero que campanhas educativas são fundamentais. Campanhas com temática impactante chamam a atenção. Isso é bom porque atingem o alvo mais facilmente e incitam a discussão na comunidade científica. Mas não posso deixar de registrar que esse tipo de imagem com relação aos alimentos me traz um certo desconforto. Afinal, nenhum alimento é vilão, nenhum alimento deve ser banido. A alimentação e os alimentos devem ser vistos num contexto mais amplo. É legal comer uma pipoca no cinema, é gostoso tomar um refrigerante numa festinha de criança, assim como é recomendável tomar leite no café da manhã, comer frutas na sobremesa, começar a refeição com um bom prato de salada, cortar a gordura aparente da carne, preferir os cortes magros,  diminuir o açúcar, evitar molhos gordurosos, preferir preparações assadas, grelhadas ou cozidas, diminuir o sal…”, conclui a nutricionista.

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