06 de julho de 2018
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Mães saudáveis reduzem o risco de obesidade nos filhos

Uma nova pesquisa publicada esta semana na revista científica BMJ traz mais uma grande motivação para as mães manterem hábitos saudáveis. O estudo Association between maternal adherence to healthy lifestyle practices and risk of obesity in offspring: results from two prospective cohort studies of mother-child pairs in the United States traz evidências de que  o modelo materno está diretamente ligado à propensão dos filhos em se tornarem obesos.

O estudo, liderado pelo Dr. Qi Sun, professor de nutrição na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, autor sênior, acompanhou cerca de 16.945 mulheres e seus 24.289 filhos. As mulheres que apresentavam peso adequado, praticavam exercícios regularmente, mantinham uma dieta nutritiva, não consumiam grandes quantidades de álcool e não fumavam, tiveram adolescentes 75% menos propensos ao excesso de peso do que os filhos de mães que não mantiveram nenhum desses hábitos saudáveis.

Ao seguir os passos de suas mães para uma vida mais saudável, mantendo também hábitos saudáveis, o número foi reduzido para 82% menos chances de desenvolver a obesidade na adolescência do que nas crianças que, assim como suas mães, não apresentavam comportamentos saudáveis, revelou o estudo.

Estes dados validam a suspeita de que as contribuições genéticas dos pais para seus filhos influenciam a propensão de uma criança à obesidade, mas a obesidade infantil não pode ser explicada apenas pela genética.

A epidemia da obesidade

Uma em cada cinco crianças e adolescentes americanos com idades entre 6 e 19 anos é obesa, uma taxa que mais que triplicou desde a década de 1970. A obesidade na infância está associada a um risco aumentado de múltiplos distúrbios metabólicos, incluindo diabetes e doença cardiovascular, bem como morte prematura na vida adulta. Identificar riscos que podem ser alterados ao longo do tempo, com o intuito de prevenir a obesidade infantil, deve ser considerada uma prioridade de saúde pública.

O estudo buscou examinar a associação entre o estilo de vida saudável da mãe e o risco de desenvolver obesidade nos filhos.

As apostas dos pesquisadores eram altas e foram impulsionadas pelos resultados alarmantes de um estudo de 2017, realizado por pesquisadores da Harvard's T.H. Chan School of Public Health, que calculou que 57% das crianças de hoje estão propensas a desenvolver a obesidade antes de completarem 35 anos de idade.

 

O estudo

O estudo incluiu mães e quase 25 mil filhos, com idades entre 9 e 14 anos, que não apresentavam obesidade.

Ao final de cinco anos de seguimento, 1.282 (5,3%) dos filhos tornaram-se obesos. O risco de obesidade foi menor entre os filhos cujas mães mantiveram um IMC normal, realizando pelo menos 150 minutos de atividades físicas moderadas a vigorosas por semana, não fumantes e que consumiram álcool com moderação, em comparação com o restante.

O status de peso da própria mãe revelou exercer uma influência enorme no risco de obesidade de seus filhos, visto que aqueles que tinham a mãe com IMC normal foram 56% menos propensos a serem obesos do que os filhos de mães com baixo peso ou obesas. Os filhos de mães que não fumavam tiveram 31% menos probabilidade de serem obesos do que os de mães que fumavam. Ao analisar a atividade física, nas mães que realizavam 150 minutos ou mais de exercício moderado a vigoroso por semana, os filhos tinham 21% menos chances de serem obesos na adolescência do que os filhos de mães menos ativas.

No caso dos hábitos prejudiciais à saúde, poucas mulheres que participaram do estudo consumiam bebidas alcoólicas em grande quantidade, por isso, os autores não conseguiram calcular com precisão a influência do alto consumo de álcool nos riscos de obesidade de seus filhos.

Um fato surpreendente na pesquisa foi que a alimentação da mãe não foi tão influente quanto suas outras escolhas relacionadas à saúde, refletindo, talvez, uma realidade da infância moderna, explicaram os autores. Na opinião dos pesquisadores, as dietas das crianças são influenciadas por muitos fatores, incluindo as merendas oferecidas nas escolas e as opções de comida que encontram em sua rotina. Estas particularidades confirmam a ideia de que programas para reduzir a obesidade em crianças precisam ir além das próprias crianças.

 

A influência dos hábitos de vida

Quando se trata de reduzir o risco de obesidade de seus filhos, o estilo de vida saudável geral de uma mãe supera qualquer fator de estilo de vida saudável individual.

Mesmo não sendo modelos ideias para seus filhos, nem tudo está perdido. Mantendo alguns bons hábitos esporádicos, uma mãe já é capaz de fazer a diferença no risco de obesidade de seus filhos, observaram os autores do estudo.

Prova disso foi o fato de mães que mantinham uma dieta saudável e se exercitavam por 150 minutos ou mais por semana, ainda que tivessem o hábito de consumir de uma e sete porções de álcool por semana, resultaram no risco de suas crianças serem obesas 23% menor que nas mães sem qualquer dos hábitos saudáveis avaliados pelo estudo.

Em suma, quaisquer bons hábitos importam, disse o Dr. Qi Sun.

Além dos benefícios à saúde dos filhos, vale destacar que a adesão a um estilo de vida saudável geral, nas mulheres, está associada a um risco substancialmente reduzido de desenvolver doenças como diabetes tipo 2, doença cardíaca coronária, aumentando sua expectativa de vida.

É importante ressaltar que a adesão a um estilo de vida saudável em mães e filhos pode resultar em uma redução ainda maior no risco de obesidade da prole.

 

Conclusão

As atividades oferecidas na escola e as merendas podem ser controladas visando mais saúde, assim como a publicidade destinada a crianças na televisão. Ainda assim, as famílias seguirão representando influências precoces e poderosas sobre as preferências das crianças.

Os programas de educação voltados às famílias são importantes na proteção das crianças contra a obesidade e devem ser promovidos continuamente.

A luta é especialmente importante entre as famílias de baixa renda, entre as quais a obesidade infantil é um problema crescente. Alimentos ricos em gorduras e calorias e com baixo teor nutricional são baratos e de fácil acesso, tornando-se um dos poucos supérfluos que um pai ou uma mãe, que lutam para sobreviver, podem se dar ao luxo de adquirir para seus filhos.

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