22 de fevereiro de 2011
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Intenção da Anvisa de Proibir Medicamentos Repercutiu na Imprensa

Intenção da Anvisa de Proibir Medicamentos Repercutiu na Imprensa
Por Cintia Castro

A intenção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de propor o cancelamento do registro de medicamentos antiobesidade que atuam no sistema nervoso central (a sibutramina e os derivados de anfetamina femproporex, dietilpropiona e mazindol) gerou intensa repercussão na imprensa brasileira.

Diversas reportagens têm sido veiculadas pelos jornais, TV, rádio e internet sobre o assunto, desde que a agência governamental tornou pública, dia 16 de fevereiro, a intenção de propor o banimento dos fármacos do mercado brasileiro. Em várias delas, especialistas da ABESO e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) foram ouvidos para relatar a visão dos especialistas.

O jornal Estado de S. Paulo ouviu três especialistas para a reportagem Médicos questionam documento da AnvisaForam entrevistados a Dra. Rosana Radominski, presidente da ABESO; o Dr. Ricardo Meirelles, presidente da SBEM; e o Dr. Marcio Mancini, chefe do departamento de obesidade do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo e ex-presidente da ABESO (2008/2009).

– O documento (relatório da Anvisa) é muito convincente para quem não é da área. Eles usaram os resultados de acordo com o que queriam. Nós analisamos os mesmos estudos e entendemos de maneira diferente – afirmou a Dra. Rosana Radominski.

O Dr. Ricardo Meirelles, presidente da SBEM, lembrou que o relatório da agência inclui citações de livros: “E livros são a opinião do autor. Não são trabalhos científicos. Só por isso considero o relatório frágil”.

Carta Publicada

Uma carta encaminhada pelo endocrinologista Alfredo Halpern – chefe do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, e ex-presidente da ABESO (1988-1990) – ao Superintendente da Anvisa, Dirceu Barbano, foi publicada, na íntegra, pelo Folha.com. A reportagem intitulada Em carta, médico rebate argumentos contra emagrecedores informava ainda que ele não havia recebido nenhuma resposta até aquela data (19/02/2011).

A Revista Veja dedicou sua reportagem de capa ao assunto. O texto Remédios para emagrecer: por que é ruim proibir a venda contou com os esclarecimentos do Dr. Márcio Mancini.

“Quase metade da população brasileira tem sobrepeso. Muitos pacientes não conseguem perder peso com o tratamento clínico convencional, que inclui dieta e exercícios físicos. Como vamos controlar a obesidade desses pacientes sem mexer no cérebro?”, argumentou.

O site de notícias R7 entrevistou a Dra. Claudia Cozer, membro da atual diretoria da ABESO, para comentar a intenção da Anvisa.

“Você não tem mais nada. Não tem mais droga para tratar obesidade. O uso criterioso de medicações antiobesidade claramente contribui para a melhora da saúde dos pacientes, auxiliando-os na perda de peso, reduzindo o aparecimento das complicações”, disse ao repórter.

O Dr. Walmir Coutinho – ex-presidente da ABESO e da Federação Latino-americana de Sociedades de Obesidade, que participou do Estudo SCOUT como um dos oitos membros do comitê diretor internacional – foi ouvido por jornalistas de O Globo.

– Sem opção de medicamento, milhares de pessoas hoje em tratamento e com seu peso controlado vão voltar a engordar. Outros podem começar a usar, até por conta própria, remédios de outras classes, como alguns antidepressivos, que proporcionam algum emagrecimento. Sabemos que só a dieta e prática de exercícios sozinhos não resolvem boa parte dos casos. É claro que tem muita gente tomando sibutramina sem necessidade, mas isso não justifica retirar a droga e não deixar qualquer opção. É desumano – declarou, conforme publicado na reportagem Anvisa quer discutir o cancelamento do registro de medicamentos que contêm sibutramina.

Muitos outros veículos noticiaram o assunto, a exemplo da revista semanal Época (Anvisa quer banir inibidores de apetite do mercado brasileiro); do portal Terra (Anvisa quer proibir venda de emagrecedores no Brasil) e O Dia online (Remédio para perder peso vai ser banido).


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