29 de janeiro de 2024
  • compartilhar:

Estigmas da obesidade impactam tratamento e retardam cirurgia bariátrica


Os estigmas da obesidade interferem na busca pela cirurgia bariátrica e levam parte das pessoas a adiar o tratamento da doença, indica um levantamento realizado nos Estados Unidos.

O estudo, realizado pelo Instituto Ipsos com 1.017 adultos, indica que 79% dos americanos veem a cirurgia bariátrica como um “último recurso”, e para 60% o procedimento é um atalho para perder peso.

“A cirurgia bariátrica de forma alguma é um caminho fácil”, lembra o cirurgião André Teixeira, diretor médico do Instituto de Cirurgia Bariátrica da Orlando Health, rede de hospitais que financiou a pesquisa.

As entrevistas revelaram ainda que para 61% dos americanos a prática de exercício físico e a adoção de dieta deveriam ser suficientes, uma distorção que também encontra adeptos no Brasil. “Grande parte das pessoas percebe a obesidade como uma questão de mudança de estilo de vida, de comer menos e fazer mais exercício, e não como uma doença”,

afirma o endocrinologista Fábio Rogério Trujilho, vice-presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica).

“Muitas vezes, você precisa usar um medicamento e, quando falamos em cirurgia bariátrica, o sentimento é esse mesmo, de que é a última opção”, acrescenta. “Às vezes, o paciente se sente um fracassado por não ter conseguido bons resultados com outras metodologias.”

Para Trujilho, mesmos profissionais da saúde não especializados em obesidade podem ter essa visão, o que contribui para aumentar o tempo de espera até o tratamento adequado.

Cuide-se

Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar

Presidente da SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), Antônio Valezi acredita que a mídia e as sociedades médicas têm ajudado o brasileiro a entender que a obesidade é uma enfermidade e a cirurgia bariátrica, uma ferramenta do tratamento.

Ainda assim, é necessário enfatizar as limitações do procedimento cirúrgico e a importância de realizar acompanhamento multiprofissional, exercícios físicos e ter uma alimentação adequada depois da cirurgia.

“Tal qual um hipertenso continua com o seu cardiologista e o diabético, com o seu endocrinologista”, exemplifica Valezi. “A obesidade é uma doença crônica, que precisa de tratamento a longo prazo e dispõe de diversas modalidades terapêuticas.”

No caso da cirurgia, a resolução nº 2.131/2015 do CFM (Conselho Federal de Medicina) estipula algumas indicações, incluindo pacientes com IMC (índice de massa corpórea) acima de 40 kg/m2 e pacientes com IMC maior do que 35kg/m2 que tenham comorbidades agravadas pela obesidade, como diabetes, apneia do sono, hipertensão, doenças cardiovasculares e depressão.

O conselho também estabelece critérios para a cirurgia metabólica, em que as técnicas empregadas são as mesmas da cirurgia bariátrica, mas a finalidade é tratar doenças como diabetes.

De acordo com a resolução nº 2.172/2017 do CFM, são elegíveis para o procedimento pessoas com diabetes tipo 2, com IMC entre 30 kg/m2 e 34,9 kg/m2, sem resposta ao tratamento clínico convencional.

Além das indicações, os especialistas observam a necessidade de individualizar os casos, já que dois pacientes com o mesmo IMC podem ser impactados de forma diferente pela obesidade.

“Existem pacientes para os quais é possível o tratamento clínico e outros para os quais o cardiologista, o endocrinologista ou o ortopedista veem que não adianta insistir em métodos diferentes do tratamento cirúrgico”, afirma Valezi.

Em relação à abordagem clínica, Trujilho enfatiza a diferença entre “remédios para emagrecer” e tratamento contra a obesidade. Enquanto aqueles são com frequência utilizados sem prescrição e orientação, este deve ser acompanhado de perto por uma equipe multiprofissional. Cabe aos profissionais verificar se o paciente tem contraindicação ao medicamento e qual a dosagem adequada.

“Estamos vivendo um momento de chegada de novos medicamentos para a obesidade, mas não acho que eles vão ocupar o espaço da cirurgia. Haverá paciente para as duas ferramentas.”

Acesse o link do Portal Folha de SPaulo: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2024/01/estigmas-da-obesidade-impactam-tratamento-e-retardam-cirurgia-bariatrica.shtml

veja também

assine nossa newsletter

    nome

    e-mail

    Você aceita as diretrizes desta newsletter

    x

    Aviso de Privacidade - Utilizamos cookies para melhorar a sua navegação e garantir a melhor experiência em nosso site em nosso site. Ao continuar navegando ou ao clicar no botão “ACEITO”, consideramos que você está de acordo com a nossa Política de Privacidade.

    ACEITO