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18 de junho de 2021
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Crianças estão consumindo ultraprocessados exageradamente, alertam médicos

Estudo feito por pesquisadores do Imperial College (Reino Unido) mostrou que, em média, 60% das calorias ingeridas pelas crianças vêm de alimentos industrializados

Em um estudo recém-publicado na revista científica JAMA Pediatrics, os pesquisadores acompanharam 9.025 crianças desde os 7 até os 24 anos, para traçar um histórico de como o índice de massa corporal (IMC), o peso e a circunferência da cintura mudou com o passar do tempo. O objetivo era entender quais eram os efeitos a longo prazo do consumo de alimentos ultraprocessados – como pizzas congeladas, refrigerantes, biscoitos, pães embalados e sucos de caixinha – para a saúde das crianças.

Os resultados mostraram que, em média, 60% das calorias ingeridas pelas crianças vêm de alimentos industrializados e que, quanto mais consomem esse tipo de produto, maior o risco de ficarem acima do peso depois de adultos. “Frequentemente nos perguntamos por que as taxas de obesidade são tão altas entre as crianças e este estudo fornece uma pista para isso. Ele revela que uma proporção extremamente alta da dieta infantil é composta de alimentos ultraprocessados, com uma em cada cinco crianças com 78% de suas calorias vindas de alimentos ultraprocessados”, diz Christopher Millett, um dos autores.

Os pesquisadores alertam que, por mais que os alimentos industrializados sejam muitas vezes mais baratos e mais “práticos”, eles precisam ser cortados ao máximo da dieta dos pequenos. “Sabemos que, se as crianças têm um peso acima do ideal no início da vida, isso tende a permanecer na adolescência e depois na fase adulta. Também sabemos que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados ​​está ligado a uma série de problemas de saúde, incluindo excesso de peso ou obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e câncer mais tarde na vida”, explica Eszter Vamos, pesquisador que participou do estudo.

Obesidade infantil no Brasil

No Brasil, o cenário é parecido. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 6,4 milhões de crianças brasileiras estão acima do peso ideal, sendo que, desse total, 3,1 milhões já são consideradas obesas. Isso significa que, atualmente, 1 a cada 10 crianças entre 5 e 9 anos são diagnosticadas com obesidade infantil.

Assim como em outros países onde a obesidade disparou nos últimos anos, o excesso de peso está relacionado, sobretudo, ao maior consumo de produtos industrializados – ricos em açúcar e gordura. “Quando se fala em risco de obesidade, a genética responde por cerca de 30%. Os outros 70% vão depender de hábitos de vida, por exemplo, se a criança faz atividade física. Uma alimentação saudável compõe uma microbiota intestinal [conjunto de microrganismos que participam de vários processos, como a digestão] mais favorável a acumular menos gordura”, explica a endocrinologista Jacqueline Rizzolli, membro da diretoria da Abeso.

Link da matéria do Portal do Potal da Revista Crescer: https://revistacrescer.globo.com/Saude/noticia/2021/06/criancas-estao-consumindo-ultraprocessados-exageradamente-alertam-medicos.html


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