01 de janeiro de 2021
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A resiliência é como um músculo, por Adriano Segal

Fim do mundo em 2000… Fim do mundo em 2012… Que saudades de brincar com os mitos a que fomos expostos no passado recente (não tão recente para uma boa parte das pessoas, eu sei, mas para mim é recente, ok?).
Por outro lado, 2020 foi REALMENTE complicado, para dizer o mínimo. Talvez o próximo ano também seja (possivelmente um pouco menos complicado, mas, ainda assim, é pouco provável que seja igual a 2019). Tanto é que os memes já rebatizaram o mês 01 de 2021: ele virou o mês 13 de 2020. Se fosse dar um nome, seria “onzembro”, depois “dozembro”, “trezembro”…
Será que chegou a hora de jogar a toalha? Acho que não.
Somos bichos inteligentes e uma das definições de inteligência se relaciona com a capacidade de se adaptar mais rapidamente às mudanças do meio ambiente — que, aliás, é também em certo grau a força que determina a evolução das espécies, só que de modo bem mais lento e quanto maior essa capacidade, maior a inteligência.
Em 2020, começamos cozinhar (ontem, a comida estava ruim, é verdade; mas hoje está melhor do que ontem e hoje está pior do que estará amanhã).
Começamos a nos exercitar em condições aquém das ideais ou das desejadas (andar a pé cedinho de máscara é chato, é verdade, mas dá para encarar).
Começamos a trabalhar fora do trabalho (às vezes, de camisa social e shorts, é verdade).
Aumentamos o convívio virtual (sem a mesma intensidade de contato real, é verdade).
Aprendemos a fazer compras sem sair de casa (ok, muita gente já faz isso há muito tempo, é verdade, como também é verdade que é muito mais legal a experiência física, mas outros aprenderam agora).
Em 2020, a tecnologia de saúde deu saltos incríveis também, só para ficar na área da Abeso. Muitos começaram novas e excitantes atividades.
Por outro lado, muitos deprimiram e entraram em parafusos existenciais. Muitos aumentaram o consumo de drogas recreativas, legais e ilegais. Muitos faliram e muitos ficaram paralisados por informações agressivas e antagônicas, um verdadeiro cabo de guerra.
O que determina em qual grupo cada um fica? Bom, essa pergunta é a de um bilhão de dólares!
Não sei se pensar positivo (ou, como diria Eric Idle em “A Vida de Brian”, sempre olhar para o lado luminoso da vida) coloca alguém diretamente no grupo mais afortunado. Tenho certeza de que, no meio das mazelas que o último ano trouxe em diversas áreas da estruturação da humanidade — e foram várias mazelas, bastante sofridas e, muitas delas, irreversíveis — tiramos algo de positivo.
Apesar de ser meio “poliana”, este pensamento ajuda a manter em perspectiva que é útil, sim, ter resiliência em situações como essa: crises são fenômenos temporários por definição.
Nossos antepassados passaram por situações igualmente (ou, pelo menos, comparavelmente) ruins e cá estamos, o que significa que eles sobreviveram. A resiliência pode e deve ser treinada, ela é quase como um músculo comportamental.
Mas, mais útil do que a resiliência, é a sinceridade consigo mesmo, já que ela também permite uma adaptação ao meio por outras vias. Assim, se você estiver no grupo mais afortunado, parabéns, fique nele, é melhor lugar para se estar. Se não estiver, perca a vergonha e seus preconceitos e procure por ajuda profissional para entrar nele: o tal grupo não é exclusivo, nem fechado e nem para predestinados. Ele aceita de bom grado novos membros. Lembrando que a resiliência é como um músculo…


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